Bronquiolite Obliterante
A bronquiolite obliterante é uma doença obstrutiva crônica das vias aéreas e que ocorre preferencialmente em lactentes, do sexo masculino, após um quadro infeccioso decorrente de qualquer agente. Os mais frequentes agentes são os vírus e, desses, o principal é o adenovírus e o segundo o Haemofilus influenza.
Como ocorre a bronquiolite obliterante?
Geralmente ocorre quando um vírus (especialmente o adenovirus) infecta a superfície da célula epitelial e inicia a replicação intracelular, ocasionando metaplasia escamosa da mucosa dos brônquios e necrose da parede bronquiolar com destruição do epitélio ciliado. Ocorre aumento da secreção de muco com consequente obstrução da luz bronquiolar, causando aprisionamento de ar (dilatação alveolar), atelectasias e bronquiectasias.
Sinais / Sintomas
Clinicamente ocorre tosse persistente, estertores, taquidispneia e sibilos por mais de duas semanas e que se inicia após um quadro agudo de infecção. Além desses, pode haver o hipocratismo digital, cianose e insuficiência respiratória. Tudo dependerá da gravidade e da evolução do quadro.
Como fazer o diagnóstico?
Deve ser feito correlacionando os resultados do exame físico minucioso; provas de função respiratória; radiografia e tomografia do tórax (correlacionar a localização com a frequência mais comum de cada patologia); exame de escarro e broncoscopia (endoscopia respiratória) com lavado; escovado broncoalveolar; biópsias transbrônquicas. Geralmente todos esses exames ajudam no diagnóstico da doença.
- A tomografia torácica de alta resolução ira demonstrar achados característicos, que são: perfusão em mosaico (64%), bronquiectasias (54%), aprisionamento de ar (64%), espessamento brônquico (42%), e consolidação e diminuição do volume pulmonar em 9% dos casos.
- No Rx do tórax haverá: sinais de hiperinsuflação, atelectasias e sinais de comprometimento brônquico.
- Na espirometria pode haver: distúrbio ventilatório obstrutivo, restritivo ou ambos. Muitas vezes haverá diminuição da reserva ventilatória.
- Cintilografia de ventilação e perfusão: demonstra redistribuição da circulação pulmonar. Esse exame pode ser correlacionado ao que foi visto na tomografia para confirmar o diagnóstico.
- Endoscopia respiratória: muitos pacientes com suspeita dessa doença ou com evolução clínica desfavorável devem ser submetidos a esse exame. O exame servirá para excluir outros diagnósticos (doenças que podem confundir) bem como para coleta de secreções (lavado, escovado broncoalveolar). O exame deve ser realizado em ambiente hospitalar, no centro cirúrgico, utilizando anestesia geral.
- Biópsia pulmonar: esse é o método que dá o diagnóstico definitivo dessa doença. Mas não precisaremos fazer biópsias em todos os pacientes, somente em alguns, especialmente quando há duvidas em relação ao diagnóstico clínico ou quando há suspeitas de outras doenças associadas. A biópsia do pulmão é um procedimento cirúrgico que deve ser realizado em ambiente hospitalar, no centro cirúrgico, utilizando anestesia geral. Pode ser feito com equipamentos de videocirurgia ou por cirurgias abertas do tórax.
Tratamento clínico medicamentoso
O tratamento clínico medicamentoso é o de escolha para essa doença. Não existem medicamentos específicos. O que geralmente se faz é tratar as infecções bacterianas secundárias, o processo inflamatório das vias aéreas (corticoide e broncodilatadores) e o refluxo gastroesofágico (quando presente ou suspeito).
Tratamento Cirúrgico
Poderá haver necessidade de realização de algum tipo de tratamento cirúrgico em qualquer fase da evolução dessa doença. Quase sempre será com o intuito de tratar as lesões pulmonares que decorrerão da evolução da bronquiolite obliterante. As mais comuns são:
- Bronquiectasias que ocorrem em mais de 50% dos pacientes.
- Aprisionamento de ar, que ocorre em mais de 60% dos pacientes.